Por Pablo Lopes Queiroz

O Rio de Janeiro continua lindo…
COM ESSAS PALAVRAS, GILBERTO GIL CELEBRAVA A CIDADE MARAVILHOSA, PALCO DO CRISTO REDENTOR, UMA DAS SETE MARAVILHAS DO MUNDO E DE UMA GUERRA CIVIL SEM FIM, NÃO APENAS CONTROLADA PELO TRÁFICO DE DROGAS, NAS FAVELAS, MAS TAMBÉM POR UM GOVERNO OMISSO QUE, DE FATO, AINDA ESTÁ LONGE DE RESTABELECER A ORDEM NA MAIS NOVA CIDADE OLÍMPICA DA HISTÓRIA.
Acredito em uma teoria conspiratória no Rio de Janeiro, não por parte da Imprensa ou dos Governos Estadual e Federal, mas sim de poderes paralelos e traficantes que, ao levarem a cidade ao estado de sítio e elevar a violência ao status de guerra civil, mostram mais uma vez quem manda na “Rio Babilônia”, retratada por Neville de Almeida.
Nunca o Rio de Janeiro ocupou tanto as manchetes de telejornais, jornais, sites e revistas por conta da violência em suas favelas e ruas cariocas. Mas por quê? Seria por conta do anúncio dos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados na cidade, e com isso o local passa a ser foco mundial de notícias e expectativas? Ou tal anúncio serviu para que traficantes, bandidos, “comados vermelhos” e afins possam divulgar, com mais impacto e eficácia, seu “reino de terror” pelo mundo?
Acredito que tais perguntas se entrelacem em outras questões: como resolver o problema do Rio? Para quem resolver, para seus moradores ou para “inglês” ver?
Enquanto isso, os governos Federal e Estadual travam uma outra guerra, neste caso, “fria”, sobre a questão do Exército nos morros e favelas cariocas. A melhor opção até agora, para conter e estancar a criminalidade explosiva da cidade, é contestada como uma “inabilidade” do governo do Rio de Janeiro em lidar com seus problemas internos e de forma orgulhosa a opção é rechaçada toda vez que mencionada.
Algumas pessoas ainda acreditam que leis que regulamentem e liberem o uso de drogas no país possam minar o tráfico nas favelas do Rio. De certa forma, já temos uma bizarra regulamentação para o uso de drogas no Brasil, pois dependendo da quantidade encontrada com cada usuário, o mesmo não responde a processo criminal e nem mesmo corre o risco de ir para a cadeia. A outra questão é que a liberalização da maconha e de outras drogas não deve ser tratada por Poderes Políticos, mas sim por médicos e especialistas da área de Saúde Pública.
Em entrevista à Rádio Jovem Pan, o doutor Pablo Roig, psiquiatra e especialista no tratamento de usuários de drogas, comentou a posição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defende a descriminalização da maconha, pontuando que isso já ocorre, uma vez que o uso de drogas não rende prisão, apenas o tráfico. Ele destacou que a campanha apenas pode ser explicada por ingenuidade ou maldade, uma vez que o real objetivo da campanha é promover a liberalização da maconha, que provoca diversos estragos na vida do usuário e, para os pacientes que fazem tratamento, provoca ainda perda de grande parte da vida. Roig pediu que assuntos relacionados com as drogas fossem comentados por especialistas e não por “pessoas com algum discurso com intenções eleitoreiras”, destacando que as posições adotadas por pessoas como o ex-presidente da República acabam prejudicando o trabalho de quem tenta reduzir e banir o uso de drogas no Brasil. (fonte: jovempan.uol.com.br)
A questão do tráfico de drogas e da violência no Rio são complementares, e acabar com esse mercado renderia prejuízos a muita gente. Sabemos que os usuários financiam o tráfico, mas o tráfico financia de forma direta e indireta pontos complicados da cidade, como a prostituição, o carnaval, meios de mídia, futebol, projetos “sociais” em favelas e a “segurança” de muitos de seus moradores.
Sem falso moralismo, mas mexer no tráfico de drogas é também acabar com o grave, mas “vantajoso” negócio da prostituição (infelizmente, fonte turística da cidade), é desalojar milhares de pessoas de seus barracos, e para onde todos irão? Sem contar que o Carnaval, fonte turística de primeira grandeza também sofreria com isso. Já se foram os tempos dos grandes bicheiros financiadores do ápice turístico carioca, os verdadeiros “Don Corleones” da “malandragem carioca”, que agora está na mão de grupos do poderoso tráfico carioca.
Tudo isso é uma grande bola de neve, pois na ponta dessa cadeia criminosa, o turismo perderá sua força e muitos dos recursos da cidade se esvairão para outros pontos do país.
Quem sabe essa não seja a hora de vermos o Rio como ele realmente é, com suas belas praias, calor avassalador, belas mulheres e o Cristo Redentor, uma das Sete Maravilhas do Mundo.
Com a novidade dos Jogos Olímpicos de 2016, e quem sabe com a Copa do Mundo de 2014, poderemos enfrentar o mesmo descaso dos Jogos Pan-americanos, com grandes manchetes de desvio de dinheiro, em que obras e melhorias na cidade foram feitas apenas para os participantes do evento. Mas e a população do Rio? Alguém mais usufruiu disso?
As mudanças na segurança, no tráfico de drogas, nas obras, nas melhorias, nos transportes, na reformulação da saúde pública, no combate a violência e os projetos para o fim das favelas deve ser feito para os brasileiros, principalmente para os cariocas e não apenas para o mundo inteiro ver uma grande e suntuosa maquiagem, como o ex-Governador de São Paulo, Paulo Maluf, costumava fazer em seu projeto “Cingapura”, que apenas cercava e cobria as favelas, mas que nunca acabou definitivamente com o problema.
Acredito que ao invés de nosso Presidente e do Governador carioca pensarem em medalhas e prêmios, devemos pensar em devolver à cidade o título que a muito se perdeu: “cidade maravilhosa”.
Que a intervenção federal seja bem vinda, que a polícia corrupta e as milícias a la “Robin Hood” possam ser afastadas, que o papo de liberalização da maconha seja posto de lado. Não podemos esquecer que o país ainda conta com uma lei seca no trânsito que é dura, entretanto muito pouco respeitada.
Se ao menos a grande maioria dos brasileiros respeitasse qualquer lei…
Enquanto isso, Sérgio Cabral, Governador do Rio, pretende blindar seus helicópteros e Lula, nosso Presidente, prefere pensar e dizer que “o Brasil não vai deixar ‘gringo’ nenhum ganhar medalhas!”. Populista como sempre, mas fora de hora e de propósito como sempre.
Prefiro o Rio de Janeiro em paz do que com qualquer medalha, sede ou título de Copa do Mundo no bolso.
E enquanto isso: O Rio de Janeiro continua sendo…




















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